terça-feira, 25 de janeiro de 2011
Um potinho
terça-feira, 18 de janeiro de 2011
In the last year, 2010, I was on grade 11. Actually, I was on the second year of the high school, because this is the way we call the grade 11 in Brazil. Oh yeah, I am a Brazilian. Anyway, I was on the beginning of my school year when my mom arrived at home one day and told me “Hey, I was thinking that maybe you could spend more time in Australia, instead of just one month”. I stared at her, I could not believe on it, she was crazy. “Pardon?” I said, and she replied with “Yeah, my friend’s daughter did it”. I still could not believe on her, so I just ignored it. Even because the high school in my country is such a hard one: we study unstoppable these tree last years to get into a good public college in the end, through the hardest exam ever. She was proposing me to stop this unstoppable study time to have a new time, a new life for a whole semester.
This idea that sounded like a crazy one, turned into a dream in my head. A dream because it seemed really unreal to me. The thing is that I decided to make it real, we decided it, my mom and I. My Dad would never accept it, because of my destiny. He would probably say that Australia is a really party country, where people at my age would not learn English, they would learn how to party. My best option was Canada. “Canada is a serious country” he did say “where you will for sure study more than go out to parties”. He was right. Although, not at all.
On September 2nd I was leaving my country, my dearest people, and my dearest food. I came to Nanaimo without knowing anybody or anything but the language. I knew myself, and I knew I am strong. I felt strong. This was what helped me to go ahead and do it, to leave all my life, my studies, to begin a new life and live it the fullest.
The problem is that in the beginning it was not easy to live a new life the fullest. I did not even know how to do it, and also with whom I would share it. I have always had a great host family, so, I would never complain about them. But I still missed my real family, my friends, and my food. I missed Brazil so bad.
I remember that I walked crying in the streets when I was coming back home. When I arrived there, I would cry even more, I would think I would never stop to cry. This happened uncountable times. I felt sad, alone, incomplete. I was already getting used to it, for me, crying was as natural as smiling. It almost turned into an everyday habit. Sometimes I cried harder, I suffered more, I missed more.
The time passed by, and I actually got used to miss them. But – thanks god! – I lost the habit of crying for them. Probably because I found people that made me smile again, people that made me happy. They were already my good friends, my greatest people here. I still want my friends, my family and my food from Brazil. But I also want to live with these new friends, new family and new food forever maybe.
I got used to my new life. I began to love it. I found perfect people. I go out with them. I see perfect views when I come back home. And when I arrive home, I meet this lovely family that I have been having the chance to live with.
One of these days, I was talking to my mom in the Skype. “I am so happy, in twenty days you will be back!” she told me, I answered “Oh, I am happy too. But, I am also sad.”. I will come back to my old life. I will come back to my people, my country. I still can not believe on it. My unreal dream of spending one semester away turned into real. It was so fast, so perfect. I have already lived it the fullest. I have already cried from the bottom of my heart. But now I love it from the bottom of my heart, and it hurts when I remember that it is in the end. That it was missing just more twenty days when I talked to my mom. That it is missing just more ten days now.
The truth is that my perfect times are passing by, just like my crying times. All of them made me grow. Now, I guess I am a grown up girl. I am coming back to Brazil, to all of my familiar life, but, I am different. I will look all of it through different eyes. New great eyes, but still the same ones who cried until almost get dried once.
quarta-feira, 22 de dezembro de 2010
O tempo passa...
Ao mesmo tempo, estará voltando para o conforto dos seus amigos, da sua família, dos seus pais e do seu país. Estará voltando para a sua vida comum.
Mas é aí que as coisas mudam ainda mais – como se já não tivessem mudado o bastante! Você está voltando para a sua vida comum, mas você não é mais como era quando vivia essa vida. Você criou outra e mudou com ela. Então, você voltará para a comum com uma cabeça diferente. Provavelmente essa diferença vai afetar a sua vida também, então a sua vida não será mais comum!
É engraçado ver como as pessoas mudam em todo esse tempo. Elas mudam, mas continuam sendo elas. Continuam sabendo que família é essencial, que os nossos amigos são a família que escolhemos e que não dá pra descrever o amor que sente por todos eles. E principalmente que seus pais são sua base, sua origem, seu amor maior.
Esse amor só não é maior do que aquele que você tem e que você cria por você mesmo.
Aqui, eu cultivo esse amor todo santo dia. Primeiro, porque nem todo dia é fácil, tem dias que você tem que encarar coisas/pessoas/situações que não queria. Segundo, porque depois que você encara tudo isso, descobre que é forte, que encara seus medos sozinha e consegue sobreviver.
Normalmente, tem uma ajudinha da mamãe... Mas é assim que a vida é. E não importa a distância, sempre vai ser.
Falando na mamãe, queria deixar um recadinho que deixará ela orgulhosa. E que mostra que não importa onde ela esteja, antes de tudo ela estará em mim.
Mami, todos os dias quando fico louca e estressada como sempre, lembro de você no trânsito falando para eu não me estressar, porque isso não vai ajudar o trânsito a passar. Aí eu paro de me estressar e relaxo, e deixo estar.
Não faço isso todas as vezes que fico estressada, porque são muitas. Mas na maioria das vezes to fazendo.. E acho que estou melhorando.
Estou melhorando em outras coisas também. Agora uma que não tem jeito (e já quero deixar avisado para vocês que estão me esperando, talvez até com esse detalhe melhorado) é que eu faço e decido as coisas em cima da hora. Para os canadenses eu sou uma ‘last minute person’. Para mim eu só faço o que eu estiver com vontade e um dia antes eu ainda não sei se estou com vontade.
Talvez um pouco de teimosia ainda tenha continuado.
A teimosia deixou estar em um aspecto pelo menos. Vou me explicar.
Acho que nunca vi o Natal como uma grande cerimônia, como um grande negócio. Para mim, era uma data comercial. Era uma tradição que se perdeu. Não era nada demais. Só se tornava demais por causa das pessoas que eu tinha ao meu redor. E agora, em plenas vésperas de Natal, aqui estou eu no país do Natal pelo que percebo! Para eles, Natal é sim uma grande cerimônia, um grande negócio. No final de Novembro as casas já começam a ter várias luzes. A minha host-family me levou para ver jardins com luzes de Natal, exposições de luzes de Natal, shows de Natal. Não sei se essa era uma campanha secreta para eu entender o que o Natal significa. Mas, eu descobri. Provavelmente, eu já estava perto de descobrir quando percebi que Natal só me fazia feliz por causa das pessoas (e olha que na minha família a harmonia não corre solta não!). Agora eu sei, eu sei que Natal, para mim, significa amor.
Dar e receber amor. Dar presentes, doces, comida gostosa. Receber presentes, doces, comida gostosa. Tudo isso em meio a grandes e coloridas luzes.
Nesse ano vou passar o Natal longe das pessoas que fazem ele ser demais. Apesar de todas as confusões! Mas, vou passar bem pertinho das pessoas que me ajudaram a enxergar o que enxergo agora. E vou aproveitar ao máximo, porque sei que no próximo ano não estarei aproveitando com eles. Estarei com eles dentro de mim. E levarei para o Brasil tudo que eles me mostraram, tudo que eles me fizeram enxergar.
Tenho o mesmo sentimento por todo o resto da vida nova que criei aqui. Pelas maravilhosas pessoas (não todas, claro) que conheci aqui. Pelas paisagens que vejo todo dia quando volto para casa. Por tudo.
E aí eu olho para a santa contagem regressiva e deixo ela lá. Ela me faz pensar. Mas não me estressa... Lembro da minha mãe e relaxo. Sinto falta dela. Do meu papi entããão, porque mandar mensagem de bom dia todos os dias não me satisfaz, eu queria mais. Sinto falta dele. Sinto falta de todos que eu amo. De todos que eu queria ter comigo no Natal.
Mas aí eu penso: ‘se em 37 dias eu tô de volta, VOU APROVEITÁ-LOS!’.
E é isso que eu estou fazendo.
Como estou fazendo, não tenho muito tempo para postar, como vocês devem ter percebido. (Como vocês devem ter percebido também não respondi depoimentos e scrapsde feliz aniversário, o que é uma falta de educação. Mas, por favor acreditem que é falta de tempo. MUITO OBRIGADA!)
Enfim, mas, tem uma experiência que vale a pena postar.
EXPERIÊNCIA
Domingo, 6 de dezembro de 2010.
O meu alarme toca as 8h e eu pulo da cama.
- Lu, tá na hora de levantar..
- Carol, ainda não acredito que vamos pular de bungy jumping..
Eu já acreditava. E estava super certa disso.
Subimos, tomamos um leite e fomos embora. No meio do caminho eu lembro que estava sem o meu cartão. E, obviamente, estava na hora certinha. Ou seja, não teria tempo de ir pegar o cartão. Mas, fiz ter. Fiz acontecer. Um caminho que levaria normalmente 20 minutos, durou 8 para mim. Quando eu chego perto do ponto de ônibus, correndo como uma louca, mais vermelha do que um tomate, vejo a Luiza andando calmamente até o ponto. Ainda tinha mais 4 minutos.
Na próxima meia hora fiquei em transe.
Exercício definitivamente não é comigo.
Mas aí eu percebi, eu percebi que estava a caminho do que queria fazer desde antes de vir. Eu só sabia que queria fazer, não entendia muito bem o porque. Depois de saltar, sem dúvidas eu entendi.
O lugar era muito longe. O que deixou nós quatro ainda mais nervosas ou animadas ou enfim. Chegando lá cada uma foi fazer o que achava que devia fazer. Ligar para os pais, não ligar. A minha opção foi não ligar, claro. Se eu ligasse eu ia ter a sensação de que estava a caminho da morte e que estava ligando para falar ‘caso aconteça alguma coisa eu amo vocês’. Mas, se eu estava a caminho da vida, para que ligaria? Ligaria depois, para falar como a vida pode ser sensacional.
Eu fui a primeira (porque ganhei no dois ou um, hahahhaha).
Antes de pular todo aquele nervoso. Na verdade o nervoso das meninas tava me deixando mais nervosa eu acho. Enfim, vi uma montanha LINDA lá no fundo e pensei, AGORA EU VOU VOAR!
O instrutor me deu poucas instruções e lá fui eu.
3, 2, 1... BUNGY JUMPING!
Primeiro segundo: FUDEU! Eu sou uma louca. O que diabos eu estou fazendo aqui?
Todos os outros longos segundos: CARALHO! O MUNDO É MEU. O MUNDO PODE SER MEU. A VIDA É MARAVILHOSA! E aí você vê toda aquela natureza, todo aquele mundão te rodeando e pulando. Parece que você se integra no mundão. Parece que você tá lá, jogada nele. E você percebe que você tá lá, dentro dele. E que está vivendo sua vida ao máximo.
Sem exageros, foi uma das melhores sensações que já tive em toda a minha vida. Comecei a gritar e depois ria, ria sem parar.
A vida é linda.
Eu não estava a caminho da morte, estava a caminho dela.
OBS: Desculpem-me pelos palavrões, eles não foram educados. Foram utilizados como forma de expressão. Nenhuma palavrinha conseguiria descrever aquela SUPER sensação. Aí toda palavra que vinha era palavrão. Quis fazer um texto fiel, aí está ele.
I wish you a Merry Chritmas!
Uma festinha cai bemm!
Adesivo do Canadá é o que há.
17, here I go!
Merry X-mas babeeee..

Feijoada, POR FAVOR!

Sempre comigo

As quatro (quase foram só três né Ca?)

FUDEU!
The World is Mine (Onde está o Olly?)
quarta-feira, 24 de novembro de 2010
Ela é a vida..
Jamais falta de ideias, de sentimentos. Cada dia que passo aqui é resultado de ideias e sentimentos novos, inexplicáveis.
Mesmo assim, estou sempre tentando explicá-los aqui, para vocês.
Pela primeira vez eu vi neve. É, é novembro e aqui já está nevando. E o mais estranho disso tudo é que Nanaimo é uma das regiões mais amenas do Canadá. Andam dizendo por aqui que estamos passando pelos tempos mais frios da cidade. De manhãzinha e a noite está -10° ou -11°. O mais frio que eu já tinha pegado era 10° provavelmente, em São Paulo.
É engraçado, porque quando você nunca viu neve fica ansioso para vê-la, senti-la. E aí, quando você vê, você sente, você só pensa que está vendo e sentindo a vida, a natureza. A ‘mãe natureza’ vem e fala que ela manda, ela escolhe, ela rege a vida, ela é a vida. E aí você fica olhando e admirando, se integrando. Deita e rola nela. Come. Cospe se for neve mijada.. ops, amarela.
Depois disso tudo começa a sentir seus dedinhos do pé congelando. Em seguida, nem sente mais, de tão frio, tão gelado. Começa a visualizar um chocolate quente, começa a desejar um chocolate quente. E de repente você quer estar em casa, embaixo do seu cobertor. E é isso que você faz depois de tomar um belo e longo banho.
O fim de semana foi passando sem grandes novidades, sem grandes festas. Tudo branco, tudo frio. Expectativas? Sim, muitas. Principalmente relativas a não ter aula na segunda-feira. Não procede. Segunda-feira, frio, muito frio. Eu na escola, na aula de matemática, não fazendo exercícios para uma prova de terça (na qual eu fui bem Papi, no worries, apesar de estar mais distraída do que tudo), olhando pela janela a neve caindo caindo caindo. Meus olhos acompanharam-na, caindo caindo caindo.
A preguiça tomou conta de mim por um tempo. Um longo tempo. Dias talvez. O frio parecia ter congelado meus membros.
Hoje, incrivelmente, descongelou. Apesar de continuar muito frio.
Tomei um chocolate quente e comi um muffin com a Gabi. Conversamos, a conversa rendeu. E depois de tanto ouvir e falar eu descobri mais uma coisa sobre a vida, sobre eu mesma. Descobri que amo me descobrir, que amo descobrir a vida. E que a verdade é que nunca vou conhecer nenhum dos dois (eu ou a vida) por inteiro, nunca vou entendê-los completamente. Mas, sempre vou amá-los, vou pesquisar intensamente por entre eles e não vou largá-los.
Mesmo porque, eles são os meus motivos, as minhas razões.
Eu sou a minha razão.
A vida é o meu motivo.
Motivo por estar aqui. Motivo por ter vocês aí.
Neve, neve, neve..

Foto do livro do ano da Dover Bay

Minha pequena..

Capilano Suspension Bridge - Vancouver

Sempre viva dentro de mim

XOXO
quinta-feira, 11 de novembro de 2010
Remembrance Day
Ontem teve uma cerimônia na escola sobre isso e tudo o mais. Foi chato, toda cerimônia é chata só por ser cerimônia. E ainda foi do tipo formal. Mas, tanto faz.
O que importa é que parei para pensar nisso. Em um dia para a memória de alguém, ou alguéns.
Não ia deixar meu dia em memória aos canadenses.
Não por desprezá-los, mas por prezar outras pessoas, que estão vivas, mas ainda assim parecem estar mortas na nossa memória. Elas deveriam estar mais vivas do que tudo.
Quando você mora no Canadá (mesmo que por pouco tempo) entra em uma outra realidade, onde tudo é perfeito, onde todo mundo é feliz e só existe paz. A verdade é que muita dessa perfeição ou da felicidade ou da paz não é real. Muitos apenas aparentam. Mas, isso não vem ao caso.
O que vem ao caso, é que onde moro, por exemplo, você não consegue fugir da realidade. Não adianta tentar fechar os olhos para a violência, ou para a desigualdade, porque ela vem até você, ela te atinge e te chacoalha, até você acordar. Aqui, é muito fácil dormir. É praticamente involuntário.
E aí chega esse dia, onde você lembra de alguém.
Eu lembrei de quem nunca é lembrado, nunca é enxergado e muitas vezes nunca foi amado.
Eu lembrei da desigualdade do mundo, eu lembrei que enquanto uns têm muito outros têm pouco.
Eu também lembrei que nunca saberei o que fazer nesse mundo.
Eu quero viver. Eu vivo cada segundinho aqui, cada céu, cada brisa, cada pássaro. Eu vivo a natureza, eu vivo tudo.
Só que também lembro que tem gente que não vive, que não come, mas que mesmo assim está vivo.
E me pergunto, como posso viver assim? É complicado, é difícil. Além de lembrar, ao invés de fazer uma cerimônia, vou pensar como posso agir. E eu vou. Vou agir e vou viver. Nem só um, nem só outro. Os dois. Tudo.
Voltando aos meus dias. À minha viagem. À minha vida (que não deixa de estar conectada com a dos meus memorandos). Talvez na verdade, esses meus dias sejam apenas etapas, apenas dias de aprendizado, para o dia em que eu realmente me conectar com os memorandos. Pode ser.
Enfim, nada de muito empolgante nessa semana. Mas, por alguma razão estou muito feliz. Não sei ao certo qual razão. Nenhum fato muito especial aconteceu. Acho que está acontecendo. Desde que vim pra cá.
É, acho que é isso.
Cada vez que paro para pensar tudo que estou passando aqui, tudo que estou crescendo, tudo que estou conhecendo... Eu fico muito feliz! Muito bem, muito orgulhosa e muito grata.
Grata à vida, ao universo, ao Deus (quem sabe até Abraxá).
O único episódio dessa semana que vou relatar é um jogo que hockey. Eu amei. Primeiro de tudo, eu ganhei o ingresso de graça e achei isso demais. Falam que várias pessoas ganham, o que é meio desanimador. Mas, para mim não foi. Foi como se o dia estivesse conspirando ao meu favor. Não pelo preço, mas pelo significado.
Estava super animada, era o meu primeiro jogo no Canadá.
Pirei.
Me diverti.
Estou me divertindo.
Sempre, até nas manhãs estressantes do colégio.
Sempre.

PS: As fotos são da úlima semana. Uma do dia do pijama (é, MEU DIA!), uma do jogo e uma do boliche sábado.
domingo, 31 de outubro de 2010
Ficaria lá, admirando, sentindo, para sempre
Por isso estou aqui..
Quinta feira passada, dia 21 de outubro, peguei o ferry para Vancouver as 8h da manhã. Não sabia quantas horas ficaria no onibus depois que chegasse lá e também não sabia certamente para qual cidade iria primeiro. Só sabia que estava indo para as Rocky Mountains. Estava na verdade um tanto quanto perdida, como sempre. Mas, como sempre também, sabia que iria me supreender com a natureza, com a vida.
No ferry já estava meio agradecida e admirada com a vida. Primeiro porque a neblina estava MUITO forte, não conseguiamos ver NADA lá de cima. Nada literalmente. Só viamos branco. Esse tipo de coisa nos faz pensar em como a natureza rege a nossa vida, porque não temos controle nenhum sobre ela. Tentamos, mas não conseguimos. O melhor foi, que depois de uma hora mais ou menos, ela, por vontade própria nos mandou uns presentinhos. O dia abriu, o sol surgiu e algumas coisas brancas continuaram lá. Mas eram nuvens, nuvens sobre o mar. O imenso mar que nos rodeava, nos acomodava. Esse momento durou cerca de 15 minutos, porque chegamos no ponto final!
Lá pegamos o onibus para Sicamous (agora eu sei!). No eio do caminho paramos em uns túneis muito grandes e escuros. Todos tinham uma luzinha no fim. E a luz se tornava cada vez maaior, cada vez melhor. Quando você via o que tinha lá, percebia que era mais do que uma luz, era uma magia. Muita água, muito verde, muita energia. Absorvemos toda aquela energia e voltamos, sobre as grandes pontes que ligava, os túneis. Sobre os grandes caminhos, para o pequeno onibus. E nele permanecemos até a noite.. Chegamos no hotel.
Corri em busca de um telefone público ou qualquer um que pudesse usar. Sete e dez da noite, meia noite e dez no Brasil: - Parabéns Mami! Primeiro aniversário em 16 anos que não estou aí, do seu lado. Claro que estou aí, dentro de você. Mas, mesmo assim queria ser a primeira a dar parabéns. Nós duas sabemos que aniversário não é assim tão importante, que importante é todo o dia. Saber isso é fácil, só que sentir é um pouco mais difícil. Porque quando você tá longe, cada dia é essencial. E o aniversário é um pouco mais. A verdade é que nada disso importa, o que importa é que meu amor por você não é um pouco mais essencial em nenhum dia. Em todos, ele é o meu dia. Não falei tudo isso. Mas ela me ouviu.
Depois disso, fomos comer pizza. Aliás, foram comer pizza. Porque eu comi só um pedacinho de passarinho. Obviamente não por vontade própria, mas é porque nos outros pedaços tinha carne vermelha. Comer menos foi até que bom, porque depois fomos para a piscina. E então para a fogueira. Brasileiros e Alemães em uma só fogueira. Brasileiros que tinham acabado de sair da piscina e estavam secando o biquini no fogo, brasileiros de canga, brasileiros sem biquini, mas também sem sutiã. Alemães agasalhados, alemães de bota de inverno, alemães de gorro. Brasileiros tentando esquentar. Alemães esfriando. É estranho como a cultura interfere na personalidade do seu povo. Não posso generalizar - CLARO! - mas é complicado conviver com isso. E, afinal, era o nosso primeiro dia. Ainda assim, recebemos uma visitinha de uns alemães simpáticos. Foi simpático.
No segundo dia acordei cedo, tomei café e fui ligar para a mamãe. Saber como estava no seu dia. Pegamos o onibus e lá ficamos. Vimos lindas paisagens. Foi aí que descobri que entraria nas paisagens, que iriamos visitá-las além de vê-las.
Visitamos o Lake Louise. Um lago paradisíaco. Azul, muito azul. Grande, muito grande. Atrás de tudo isso, montanhas com gelo, com neve. Neve de verdade. Não podia acreditar. Fiquei paralizada, apaixnada. Sentindo tudo aquilo, vivendo tudo aquilo. Sabendo que seria só uma vez, só uma única, mas mágica vez. Alguns alemães entraram na água. Fiquei com vontade. Mas, acho que não estaria aqui contando tudo isso pra vocês se tivesse entrado. Estava quase petrificando de frio. Isso é porque não tinha nem tocado na água direito. Ela já tinha tocado em mim, no meu coração. E ali ficou. Continuamos nosso caminho depois de muitas fotos e de um pic nic.
Depois disso visitamos uma cachoeira muito bonitinha. Mas não muito comparada com as nossas, as nossas do Brasil. Na verdade, a piadinha era que as cachoeiras que víamos eram torneirinhas. Mas, vamos deixar essa parte de lado. O lago já tinha feito toda a viagem valer a pena.
Vimos elks, um animal feio com a bunda branca. Mas, ele é tradicional daqui. Então, foi interessante, estavamos conhecendo até a parte menos favorecida da natureza deles.
Chegamos em Banff! Uma cidadezinha muito bonita, se parece com o cenario de Surrey, do filme 'O Amor Não Tira Férias'. Jantamos muito bem lá. E depois andamos. Compramos chocolate e outras coisas. Voltamos para o hotel e lá ficamos. Recebemos mais visitas. Socializamos. E depois fomos dormir.. Nos preparar para o longo dia seguinte.
Acordamos em um horário ridiculamente cedo e fomos andar a cavalo em um frio estupidamente gelado. Podem perceber que essa foi a melhor parte da minha viagem. Meu cavalo me odiava e fazia tudo errado. O que na realidade me levou a uma reflexão.. Tadinho do cavalo! Eles não nasceram para nos servir. Eles nasceram para comer, correr e fazer o que eles quisessem. E aí, quando o meu cavalinho que me odiava parava pra comer, a mulher feia e chata vinha pra mim e falava para eu puxar ele e bater no pobrezinho. Ela falou que ele não ia sentir.. Ela que não sentia nada, porque era uma gorda e fria. Não tinha como sentir nada mesmo. Depois, o pobrezinho ia correr. Tá, aí nessa hora que era pra ela fazer alguma coisa, ela não fazia. Tá, chega.
Vimos um lago MARAVILHOSO nesse caminho torturante. Que era como um espelho. Um espelho que refletia a beleza irradiante de uma montanha. E de suas arvorezinhas. Como falam, tudo tem seu lado boom..
Depois, o dia melhorou. Ele nasceu para nós. E até deu uma esquentadinha. Vai ver a felicidade que esquentou. Fomos para a Gondola das Sulphur Mountains. É um teleférico. Muito, muuuuito alto. Que te deixa ver o mundo. Como se não bastasse, quando você lá em cima, pode subir ainda mais. E de lá, ah, de lá você se sente o dono do mundo. O dono de um mundo gelado, mas maravilhoso no meio de todo seu gelo. Você tem vontade de seguir cada caminho, de entrar em cada rio, de subir em cada montanha. E é aí que você lembra que você já está em cima de uma delas. E curte, curte muito tudo isso. Vive muito tudo isso. E fica lá, admirando, sentindo. E ficaria lá, admirando, sentindo, para sempre.
Mas, o onibus espera por nós. Descemos então em outra praia maravilhosamente azul, com várias montanhas. As montanhas que na realidade são o nosso destino. As geleiras.
Quando chegamos nas geleiras, descobrimos que não subiriamos nelas. Ficamos bravas. Ficamos putas. Mas.. Quando menos percebemos, estavamos lá. Lá era o nosso destino. Gelo, água, vida. Decidimos tirar foto sem camiseta, assim como meninos fazem. Tiramos fotos e tudo o mais. Mas, a melhor parte foi depois. Sentir aquele frio petrificante no seu peito, na sua barriga. E ele parece ter um efeito único. Não é o efeito de você estar quase morrendo. É o efeito de estar mais do que vivendo. É o efeito de você estar integrado com a natureza, de estar em uma sintonia e harmonia desigual com ela. Ela parece estar entrando dentro de você, e você? Ah, você está entrando dela. Só que aí depois o momento de morte chega. E aí você coloca todas as roupas rapidinho. Mesmo porque, já ganhou uns quilinhos!
Adoro rimas.
Eu não podia estar mais feliz. Vi algumas das melhores coisas do mundo. Senti algumas das melhores coisas do mundo. E uma delas, sem dúvida, foi a certeza de uma companhia. De uma mão lavar a outra. Vocês têm a minha mão.
A volta lamentável não será comentada, porque ela envolve eu passando mal em um barquinho que não parava de balançar (que as pessoas costumam chamar de ferry).
A segunda feira também não. Tive provas. Sim, no plural. A terça feira.. Também. E todo o resto da semana.
Apesar que quarta foi um dia bom para mim. Estava voltando - ANDANDO - para casa. Parei na praia.
E lá fiquei.
E lá ela ficou.
E lá ficamos, eu e ela.
De lá, eu vi as montanhas, as montanhas que eu visitei. Conseguia ver o gelo, a neve. Não precisava ver mais nada.
Tá legal, ver algumas pessoas que eu sinto falta não seria nada mal.
Mas eu sentia elas. Sentia as montanhas. Sentia tudo.
Sexta feira? Dia de fantasia!
Foi engraçado. Depois disso fui ver um jogo de volei e a noite cuidei das crianças.
Sábado, com mais 50 dólares no bolso (por causa do dia anterior, quando cuidei das crianças), fui para uma festa de Halloween. Foi boa. Não tanto quanto as do Brasil.
Mas foi diferente, divertido!
Hoje teve festa de Halloween aqui em casa.. Várias crianças, vários jogos, vários doces. Vários doces. Eu e a Gabi. Rimos um pouco, comemos muito. Nos divertimos, eu acho. Vivemos um pouco da vida deles, da cultura deles. Até do modo de pensar deles, né? Haha, vai entender..
Depois de tudo isso estava morta. Não fui pedir Trick or Treating. Muito trabalho, muito doce, muita gordura desnecessária. Já estava satisfeita.
Já estava feliz.. Há muito tempo.
Longa Sessão de Fotos..
OBS: as fotos estão com sequecia inversa dos fatos, ou seja, estamos começando pelo final, hihi.
OBS 2: isso não é culpa minha, é do blogger. podia fazer alguma coisa, mas não vou. são 11h11 e amanhã tenho aula, infelizmente.




sábado, 16 de outubro de 2010
Thanks God.. It's Friday?
Estava na hora né, eu sei..
Como já faz uns 15 dias que não faço um post decente, acho digno vocês, meus caros leitores, me perdoarem e não se importarem com a minha não descrição de todos os dias. Enfim, teria que descrever 15 dias. Nem ia lembrar de tudo na verdade.
Ia lembrar do essencial..
Começando por um dia que parecia comum, mas que se tornou um tanto quanto interessante. Era domingo. Cuidei do Noah (host-brother) de manhã e achava que por isso meu dia seria resumido. Mas, a Kim (host-mother) veio me falar que eles fazem 'fotos de família' e que queriam a minha presença na desse ano. Eles estavam pensando em tirar naquele próprio dia. E assim foi.
Fomos para um parque daqui, muito bonito por sinal. Andavamos e escolhiamos lugares bonitos, lugares onde nos sentíamos bem, vivos. Tirávamos algumas fotos e seguiamos em frente. Fizemos isso por um tempo. Depois da sessão de fotos voltamos para casa. Maaaas, no caminho, fizemos um 'exagero'. Exagero que eu prefiro chamar de prazer. O que houve? Paramos em uma sorveteria!
A semana foi passando e o tempo estava bem bonito. Eu e um pessoal decidimos então ir para OUTRO parque que tem por aqui em uma plena terça-feira. Quem diria hein Carolina? Muito bonito. Talvez muito mais que muito. Confesso que a natureza conspirou ao nosso favor naquele dia. O sol estava lá. E eu também. Pegando tudo que ele estava me oferecendo por algum tempo. Deitamos na grama e ficamos parados, apenas deixando ele nos abençoar.
Os dias foram indo e vindo. Cada um de seu jeito.
Fomos para uma festa - pasme! - que era super estranha - claro..- e que não satisfez a nossa vontade de festas e bares e coisas de São Paulo (ou Belo Horizonte, ou Santa Catarina, ou qualquer outro lugar onde pessoas da nossa idade SAEM de fato).
Chegou o então o meu primeiro Thanksgiving! Que já tinha tido uma preparação na sexta feira, no aniversário do Noah. Comi bastante até, mas não tanto quanto as pessoas costumam comer. Tudo bem que compensei na sobremesa (um bolo de chocolate MARAVILHOSO!). Mas, acho que não é a comida que realmente importa - tá legal, ela é BEM impostante, mass.. - é o significado que cada um dá para essa data. Acho que devo ter dado mais significado do que eles dão aqui porque eu nunca passei por isso. Eles passam todos os anos, virou rotina.
Para mim não.
Quis então entender o porque do feriado e tudo o mais.
Basicamente, era quando as pessoas do Canadá agradeciam pela colheita.
Nesse dia eu agradeci por tudo.
Tudo que tenho e que já tive.
Essa oportunidade, essa família, esses lugares que estou conhecendo e essas pessoas também.
Mas não deixei de agradecer pela MINHA família, pelos MEUS lugares e pelas MINHAS pessoas. Pelas minhas certezas. Pelos meus maiores amores.
E foi aí que eu percebi como sou grata. Grata ao universo por ele ter me entregado tudo que entregou.
Não tenho nem como descrever tamanha gratidão.
Nesse dia, quando pensei em tudo isso, senti tudo isso, eu tive a maior certeza de que sou abençoada!
Bom, alguns dias depois disso, fui passar um dia em Victoria, uma cidade muito bonita aqui perto. O dia foi meio tumultuado. Tive que fazer umas coisas que não estava esperando, porque não tinha lido a programação direito - CLARO!. O dia podia ter sido tão bonito quanto a cidade, mas tudo bem. Vai ver ele estava compensando um pouco toda a minha benção.
Chegou sexta-feira. E como aqui sexta-feira não é dia de cerveja, fomos para um evento TEEN. Um festival de cinema. Tá, é um bom programa. Comemos muita pipoca, bebemos muito refrigerante e vimos alguns filminhos água com açúcar. Nada tão polêmico quanto eu gosto, mas, as vezes a vida tem que ser mais sutil.. Menos profunda. Obviamente, alguma coisa mais INTENSA tinha que acontecer. Depois de passar a noite nesse festival e tomar café da manhã no Mc Donalds, fomos ver o sol nascer em um lago que tem por aqui.
O sol estava lá. E eu também. Pegando tudo que ele estava me oferecendo por algum tempo. Ele estava nascendo para nós.

Peguei toda essa luz e guardei aqui, comigo.
quarta-feira, 6 de outubro de 2010
...
Mas acho que tenho que escrever quando minha alma pede e não quando o calendário o faz.
Hoje, minha alma pediu!
Mas, ela pediu há um tempo e eu não aproveitei.
Agora estou eu aqui, digitando e apagando todas as frases que surgem na minha mente.
Talvez, ela já tenha fechado por hoje.
Provavelmente amanhã ela estará aberta.. Vou aproveitar e checar o expediente.
Assim, amanhã ela me proporciona um pouco mais de criatividade, de frases.
Aí, eu posto elas pra vocês logo em seguiida!
segunda-feira, 27 de setembro de 2010
"I can see"
É, pelo que estou percebendo vou postar aproximadamente uma vez por semana sabe? Ah, mas não tem problema né, porque quando posto vale literalmente pela semana inteira. Pelo tamanho, eu digo.
Enfim, vamos lá.. a minha linda semana - passada.
Segunda e terça foram dias comuns, comi cookies, fui para a aula de musical - pela última vez! - e provavelmente fui para o shopping.. Que é o que todos os alunos internacionais fazem depois da aula. E eu faço de vez em quando. Tá, tanto faz esses dias.
O melhor estava por vir..
Quarta-feira - bem no meio da semana, tem coisa melhor? - fui para Vancouver. Na realidade, não fui exatamente a passeio. Fui para acompanhar a Kim - minha host mother. Ela tinha que fazer uma cirurgia nos olhos. Desde os 7 anos usou óculos, e sem eles (ou lentes de contato) não podia ver as coisas nitidamente, o mundo nitidamente. Eu sei que tem muitos casos como o dela. Mas, acho que por conviver com isso tão de perto, por me permitir a sentir um pouco do que ela sente, percebi que não é tão simples assim. Claro que podia ser pior. Mas, ela não conseguia ver..
E é engraçado pensar como a ciência evoluiu. E, nesse caso, evoluiu para o melhor. Ela conseguiria olhar o horário no despertador quando acordasse. Foi o que ela disse para o seu pai, ele não entendeu. Eu entendi, ela queria ver o mundo, cada detalhezinho dele, cada pequena parte.
E conseguiria. Para isso, foi para a cirurgia.
Eu, fui passear. Conheci as ruas cheias de lojas de Vancouver. Todos os tipos de loja. Todos os tipos de pessoas. Fui em uma loja subterrânea que tinha uma música super estranha na entrada. Fui em lojas comuns. Fui para onde queria ir.
Depois comprei um livro e fui tomar um chocolate quente, que a Kim falou que era o melhor do mundo. Eu não achei. Mas foi gostoso. E lá conheci um brasileiro - tinha que ser brasileiro - que falou que vai me levar para festas quando eu voltar. Adorei, haha.
Mas depois de tanta civilização, tanta cidade, encontrei um parque. E fiquei sentada em uma ponte que tinha no meio dele, que ficava meio que no meio de um super lago. Era super diferente. E de lá saiam uns jatinhos. Da AGUA! Nossa, eu achei super super super diferente. Fiquei lá, sentada, conversando com a minha mãe no celular, e sentindo aquela brisa.
Mais tarde, depois de comprar pijamas e comida para a minha 'paciente', fui encontrá-la. Estava deitada na - super ultra mega - cama do hotel. Me agradeceu mil vezes pelas compras. E foi até a janela. Eu a acompanhei. Ela abriu a grande janela.. E começou a observar.
Agora, ela conseguia. Meio borrado ainda, por causa da operação. Mas conseguia.
Lá de cima, ficou observando o parque onde eu estava. Viu um homem de cadeiras de rodas na ponte onde eu estava. E começou a falar, cada coisinha que via. Cada detalhe.
Quando eu olhei para ela, ela disse, com lágrimas nos olhos: 'I can see'.
Não sei, mas quando você compartilha esses sentimentos, começa a perceber como é importante ver. Não olhar, mas ver. Porque quando você vê, você sente, você se importa.
Eu estava vendo ela. E ela, sem dúvidas, estava me vendo. Com muito orgulho por sinal. Orgulho dela.
Depois disso, acho que decidi ver mais. Ver mais o mundo.
Porque você percebe que tem sorte por poder vê-lo. Sem ser através de lentes. Sem ser através de cirurgias. Apenas através de seu coração, quem sabe.
Bom, nesses mesmos dias estava pensando em parar o teatro. Aí foi quando me decidi. Pararia o teatro, mas começaria a andar, a fazer caminhadas por aqui. Que incluiriam, obviamente, paradas. Paradas nos parques daqui, nas praias daqui.
Mesmo porque, sinceramente, essa cidade não é das mais badaladas. Não é das mais agitadas.
Mas é daquelas onde se tem muita coisa para VER, para sentir.
Estava decidida. Iria ver.
Na quinta voltamos. Eu comprei tênis, para que as caminhadas não se tornasse em uma tortura sob All Stares não-confortáveis. Na sexta mesmo já fui caminhar depois da escola. Encontrei outra praia aqui perto de casa, bem pertinho mesmo. Na volta da caminhada parei lá. Senti a praia. Senti o mar. Senti cada ventinho que batia. E os ventões também. Sentei e li um pouco.
Voltei para casa ouvindo Maria Rita no máximo volume e cantando. Se alguém ouvisse, não entenderia mesmo né?
E sinceramente, eu não estava nem ligando.
"A gente ri, a gente chora e comemora o novo amor!" Maria Rita - cantado por Carolina Piai.
INÉDITO: Em Nanaimo, dia 17 de setembro.
A tardinha, fui encontrar um pessoal para fazermos algo que ainda não sabíamos o que era. E continuamos sem saber. Fomos para um lago, fomos para um shopping, para outro. Pegamos um ônibus, pegamos outros. E assim foi. Um desastre. Mas um desastre engraçado, né meninas ao lado? Mais engraçado agora do que na hora, mas tudo bem.
Sábado fui fazer uma caminhada, mais longa. Na verdade a que fiz no meu primeiro dia aqui e que achei muito muito muito longa. Na realidade não é tanta. Mas, chegando no lugar (Neck Point Park), fiz uma trilha. Então, estava também me exercitando.
Bom, a verdade é que pelo que vi lá, não estava dando muita bola para o exercício. Estava feliz.
Eu podia ver. Ver tudinho. Cada detalhe.
E os detalhes de lá, meu caro leitor, valem a pena. Valem para mim pelo menos.
Muita natureza, muitas pedras, muita PAZ.
Cada dia eu descubro mais como posso encontrar essa paz aqui também, e não só em Hornby. Isso é consolador.
A vista era maravilhosa, e a sensação melhor ainda.
Poderia passar o dia inteirinho lá.. Só sentindo cada segundo. Cada segundo que o universo estava me oferecendo. Mas, tinha que sair, porque tinha planos. Não vou nem comentar desses planos, porque eles foram um desastre. Onde já se viu um shopping, de uma cidade, fechar às 6h da tarde em um sábado? Isso não é normal. Iria encontrar pessoas lá. As pessoas eu encontrei. O shopping não.
Ah, encontrei outra coisa.. Chuva, muita chuva.
Domingo - Estava decidido: pic nic na praia? Não.
Jogo de futebol: Brasil x Espanha. Na realidade em um time tinham 2 brasileiros e no outro uns 3/4/5 espanhóis. Só que foi divulgado como Brasil e Espanha. Provavelmente para as pessoas terem vontade de se locomover até lá.
Foi simpático.

Mas o 'Brasil' perdeu.
Depois disso, fomos comer Pizza Hut.
Cheguei em casa e jantei.
Acordei e comi panquecas. Engordei um quilo já, e não estou aqui há nem um mês. E sinceramente, eu não estou nem ligando. O programado era cinco quilos no máximo.. E eu não estava nem pensando em fazer exercício hein.
Depois de panquecas, e falar com algumas pessoas do Brasil, voltei para o Neck Point. Hoje, incrivelmente, o tempo estava mais bonito. Tirei umas fotos legais..
Tinha que aproveitar o milagre né.
E tinha que deixar vocês verem.
Verem por lentes. Verem por uma tela. Mas, Verem o que estou vendo.
segunda-feira, 20 de setembro de 2010
Welcome to Paradise!
Thanks God It's FRIDAY!
Tive aulas chatas como de costume e.. FUI VIAJAR! Pra onde? De acordo com a Kim (host-mother) uma praia cheia, cheia de PEACE. Quando soube disso, não sei, comecei a achar que o lugar era um oásis. De tão calmo, tão belo. Porque essa cidade já é tudo isso. Já tem muita PEACE. Se para ela, lá tem peace. Mais peace. Ah, ela disse também que era um lugar de HIPPIES. O que me animou, como vocês já podem imaginar. Ok, mil expectativas. No carro? Muito chocolate, muita junk food, muito refrigerante. Gorda. Tá legal, pegamos a balsa e ENFIM VIAJAMOS: Welcome to Hornby Island!A tardezinha fomos comer uma pizza com ingredientes naturais, organicos.. Cheios de vida. Me deixaram cheia de vida também. Levamos a pizza para casa e ficamos comendo e vendo filme. Aí depois trocamos a pizza pelo maravilhoso e sensacional e imperdivel e inigualável e maravilhoso de novo e etc etc etc TIM TAM! É um chocolate, meu pai me trouxe da Australia, e eu me deliciei. Como se só pudesse comer aquilo de novo depois que alguém viajasse 36 horas até chegar na Austrália. MAS NÃO! Posso encontrá-lo no supermercado aqui NA CIDADE. Ok, influenciei toda a família (DETALHE: toda a família que foi né, que foram só as meninas, foi um final de semana de meninas), e no final estava todo mundo que nem eu pelo suculento TIM TAM.. Comi também um negócio que parecia paçoquinha. Depois de tudo isso.. E mais muita Coca. Fomos hibernar. Acordamos e por peso na consciencia fomos dar uma pequena volta. Bem pequena. Em uma praia bonita e legal (tipo o meu mini-mural, né Carla). A praia tinha uma coisa especial: pedras. Ou eu achei elas especiais. Tanto faz agora, o que importa é que para mim elas foram especiais. Cada uma com seu jeitinho. Esperando na beira da.. costa para serem molhadas. Uma por vez. Algumas, super longe do mar. Já tinham perdido a esperança. Já estavam rachando. Ajudei-as: trouxe comigo. Fomos então para uma lojinha hippie. Muito interessante, cheia de coisinhas bonitas, feitas a mão.. e caras. Chegou uma amiga da Kim, com a sua filha e com uma brasileira, que ainda não conhecia, apesar de ter vindo comigo: Catharina. Passamos a tarde comendo, conversando e vendo filmes. Fomos também para outra praia. Cheia de madeiras. E com.. vejam só: AREIA. Uma areia meio escura e cinza e enfim, era areia pelo menos. A noite chegou, e com ela uma chuva que parecia nunca terminar. Ótimo, agora vou ficar trancada dentro de uma casa de madeira só comendo e vendo filme sendo que tem toda uma ilha lá fora que está louca para ser observada. Quero sentí-la. Mas, até aí, só podia sentir gotas.
The sun is coming out for us!
O dia chegou, chegou vida, luz, um solzinho. Fiquei iluminada. Fizemos uma longa caminhada, que pareceu curta por causa da paisagem, da beleza, da vida que tinha. Do amor.
Na volta para casa, paramos em uma comunidade hippie. Cheia de coisas mágicas. Cheia de vida. Acho que estou transbordando de tanta vida que estou encontrando.
Comprei um catador de sonhos. Minhas energias não podiam estar melhores.
Fomos buscar o Noah na casa da tia. A tia que cozinha bem de acordo com a Kim.
E não é que é verdade? Totalmente verdade por sinal.
Comi, comi muito.
Choveu. Fez sol.
Vi um arco-irís.
Vi um do lado do outro.
Eu vi.
Eu vi a vida chegando.
E eu lá, vivendo..


